Faltam cerca de dois meses para a chegada da Laura. A mãe de primeira viagem não cabe em si. Não fosse a gente saber que o inchaço faz parte da gravidez, poderíamos traduzir que o inchaço trata de satisfação.
A barriga da Barbarela está linda e parece que Laura está muito bem aninhada em seu interior, só aguardando a hora de sair para esse mundo novo e cheio de novidades. Não sabemos que impressões que essa menininha terá, mas aqui no Brasil ela chegará num momento muito diverso daquele que vivemos até hoje. O País, pela primeira vez nos seus 510 anos de história, terá como governantes uma mulher, como ela.
Laura, estamos esperando a sua chegada para se juntar a esse grupo tão especial que formamos.
Ah, uma observação: ainda bem que alguém desse blog resolveu dar continuidade à espécie, porque se dependesse das outras três...
O Movimento Volta Adriana Miranda (MVAM) chegou ao fim nesta sexta-feira. Foram quase quatro meses de sua ausência em Brasília. Nos botecos seus amigos sempre entoavam: Volta Adriana!
O que ela fez em terras distantes ainda é um mistério e deverá ser desvendado em breve, entre uma cerveja e outra. Mais que dos amigos, ela deve estar com muitas saudades do Feitiço Mineiro. Quem quiser encontrá-la novamente é só dar uma passadinha por lá.
Minha amiga Cristiane voltou a escrever. Do outro lado do mundo, manda uma mensagem dizendo que pensa, em breve, em tomar um banho de sal grosso bem demorado para lavar a alma.
Cristiane é uma pessoa de poucas crenças. Se me dissesse que iria tomar um banho de sal grosso há seis meses para lavar a alma, eu ficaria surpresa. Hoje, não mais!
Bem, Cristiane, diante de tantos atropelos, meu conselho é que, além do sal grosso, chame os santos que forem possíveis para te acompanhar nesta lavagem. Banho tomado, alma lavada, delete o que sobrar da memória e se jogue.
A história se repete, ainda que em percursos diferentes.
Parece o dia da marmota!
Tudo começa bem, o carro liga, anda, eu engato a primeira marcha, a segunda, a terceira e na quarta, já nos 140 quilômetros com a temperatura em alta, partindo para a quinta, eis que o automóvel começa a engasgar e morre. Pior, de vez.
Eu ligo a chave, desligo, ligo de novo, piso no acelerador, na embreagem, no freio, desligo, ligo, reviro aqui e ali, espero para ver se o veículo pega de novo, mas ele insiste, não funciona, empaca e apaga por completo e me deixa no meio do caminho.
Tenho que arrumar um mecânico que faça o reparo urgente!
Para quem está longe. Para quem gosto muito. Para quem nesta data há o que comemorar. Para quem ama o Chico. Para quem tenta cantar no Tom. Para quem há de voltar. Para você Sabiá.
Sabiá (Composição: Tom Jobim e Chico Buarque)
Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá e é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá
Vou voltar Sei que ainda vou voltar Vou deitar à sombra De um palmeira Que já não há Colher a flor Que já não dá E algum amor Talvez possa espantar As noites que eu não queira E anunciar o dia
Vou voltar Sei que ainda vou voltar Não vai ser em vão Que fiz tantos planos De me enganar Como fiz enganos De me encontrar Como fiz estradas De me perder Fiz de tudo e nada De te esquecer
Vou voltar Sei que ainda vou voltar E é pra ficar Sei que o amor existe Não sou mais triste E a nova vida já vai chegar E a solidão vai se acabar E a solidão vai se acabar
E o casal caiu na risada. Ela sabia que se tratava de uma brincadeira. Afinal, todo mundo sabe.
Mas aí ele fez uma proposta:
Ele: Porque a gente não escreve sobre a nossa noite naquele seu blog esquisito?
Ela: Como assim esquisito?
Ele: Esquisito. A começar pelo nome. Convenhamos que é divertido, mas nunca imaginei que você algum dia teria um blog com esse nome.
Ela: O que é que há de estranho no nome do blog? Eu sei que você o acompanha bem de perto. Conta aí! (risos)
Ele: Ok. Mas confesso que quase não entendo nada do que vocês escrevem. Aliás, está perigoso demais ficar contigo. Tenho a impressão de que vai parar no blog no dia seguinte. (risos)
Ela: Pera lá... duas coisas... a primeira é que foi você quem sugeriu contar detalhes da nossa noite no blog; segundo, o que você não entende no blog?
Ele: Sei lá... os textos são todos obscuros. Completamente cifrados. Parece que vocês escrevem de uma maneira que é justamente para ninguém entender.
Ela: Digamos que os textos são só para os iniciados. Mas eu vou pegar o computador. Vamos escrever sobre a gente... ainda está a fim?
Ele: Mas agora? Eu estou meio bêbado e você também. Só vai rolar besteira.
Ela: (Já com o computador conectado) Assim é que é bom. Vamos escrever o que nos vier à cabeça.
Ele: Hum! À cabeça? Já comecei a gostar da história. Posso contar detalhes? Falar dos nossos apelidos?
Ela: Claro... é você quem vai escrever o seu texto. Os diálogos vão rolar como no MSN. Como em uma sala de bate-papo.
Começam a escrever...
Ele: Então tá... foi bom pra você?
Ela: Foi péssimo! Nem da tua cueca eu gostei. Você já foi bem melhor. Fazia sexo oral como ninguém!
Ele: E você diz isto assim?
Ela: Claro, você me compromete negativamente fazendo esta perguntinha boba. Vão me questionar: que cara é esse com quem você anda saindo?
Ele: Mas eu falei há pouco e você deu risada.
Ela: Mas estávamos só nós dois na cama. Agora estamos em frente a um computador e com um monte de gente lendo.
Ele: (risos) Um monte de gente lendo? Essa é boa. Quantas pessoas devem acessar este blog esquisito?
Ela: Se você disser mais uma vez que o Secas e Molhadas é esquisito eu vou fechar o computador.
Ele: Não, não. Estou gostando da brincadeira.
Ela: (risos) Não conta pra todo mundo que a sua cueca é de zebrinha, porque pega mal. Mas escreva que você trouxe vinho e flores. Que trocou de perfume. Que sexo oral hoje não foi tão bom porque você foi ao dentista.
Ele: Você é bem engraçadinha. Primeiro, a minha cueca não é de zebrinha, é box e branca – bem do jeito que você gosta; segundo, você quase chorou quando viu as flores; terceiro, você adorou meu novo perfume; quarto, eu só disse que estava com a boca meio dolorida por conta do tratamento dentário que estou fazendo.
E você pode falar o que quiser, porque neste blog estranho vocês contam a história, mas não dão os nomes mesmo! Ninguém saberá que sou eu.
Ela: Tolinho! A gente não diz o nome, mas os nossos amigos advinham! A minha terapeuta, então, vai adorar!
Ele: Então vou escrever que você usava uma calcinha dourada e um sutiã de oncinha.
Ela: Os meus amigos sabem que eu jamais usaria uma coisa dessas.
Ele: Os seus amigos talvez, mas “um monte de gente” que você diz que lê o blog não sabe. (risos)
Ela: Reparar a roupa que o outro está usando é coisa de mulher e gay. Hétero, na hora de transar, não vê nada.
Ele: Convenhamos que não dá para não ver uma calcinha dourada. É como transar com a luz acesa!
Ele: Você bem que podia falar sobre as minhas qualidades. O tempão que você tem só nas preliminares. E que depois de tudo ainda ficamos bem abraçadinhos. Bem de conchinha.
Ela: Já que insiste, vou contar detalhes. Devo reconhecer que você trepa bem, mas tenho que aguentar depois a sua crise de soluços; isto quando você não se contorce com cãibras nas pernas. Contigo não é conchinha; é mexilhão! (risos)
Ele: Agora quem está sendo tolinha é você. Sinal de que não consegue pegar alguém melhor que eu!
Ela: Isto é o que você pensa. Você nem tem idéia do que eu faço nos outros dias da semana. É por isso que quase nem reclamo do seu desempenho no sexo oral.
Ele: Mas eu duvido que alguém sussurre ao teu ouvido coisas como eu sussurro. Que te deixam excitada só de ouvir. Por exemplo, quando eu te chamo de delícia. E os nossos apelidos? Estes sim. Não há coisa mais divertida.
Ela: (risos) É verdade... como alguém pensaria em apelidar o próprio pau de Shrek e a xoxota alheia de Fiona!
Ele: Acho que estamos muito bêbados, vamos nos arrepender do que estamos tornando público.
Ela: Sempre há o recurso de fazer como muitos: deletar tudo na manhã seguinte.
Ele: Vocês mulheres falam dos homens, mas é você quem está propondo apagar tudo na manhã seguinte. Não reclame se eu não ligar. (risos)
Ela: Façamos o seguinte: são quase quatro da manhã, se você der mais uma e for maravilhoso, eu mantenho o texto como está – intacto. Não deleto a nossa história. Se for mais ou menos, eu reescrevo alguns trechos. Como eu bem entender. O que acha?
Ele: Isto é uma armadilha! Se eu arrasar, você não vai deletar a nossa história e correrei o risco de tê-la no meu pé por um bom tempo. Aposto que vai se apaixonar. Mulheres sempre se apaixonam. Se a transa for mais ou menos ficarei à mercê do teu descontentamento. Sabe-se lá o que você vai reescrever. Mulher contrariada é um perigo. Tô fudido!
Ela: É um risco. Você só vai saber o resultado amanhã de manhã, em sua casa, quando for reler este texto no blog.
Ele: Você vai se aproveitar de mim e me mandar embora. Para minha casa? (risos)
Ela: Ué? Você vai dormir aqui?
Ele: Não. Acho melhor não.
Ela: Vocês homens são engraçados. Sempre quiseram ir embora para não criar vínculos; agora, quando as mulheres preferem acordar sozinhas, em seu próprio apartamento, ficam ressabiados.
Ele: Ok. Só não precisa mandar embora.
Ela: Mas voltando à minha provocação. Eu aposto que amanhã de manhã, quando você for reler o texto, já não será exatamente o que está escrito. Quer apostar?
Ele: Hum! Homem não resiste quando é chamado para uma briga! Está no nosso DNA. (risos)
Ela: É pegar ou largar! Dou-lhe uma, dou-lhe duas...
Ele: Uau! Desliga o computador que eu dou a terceira!
Um amigo tuitou durante a tarde desta quinta-feira todo seu cansaço. Sua angustia. Sua vontade de parar tudo e ir para um lugar bem distante. De seu celular, contou-nos que estava escutando Beautiful Lie, by Yoav.
Fui atrás da letra e a roubei para mim... “Yesterday, today, tomorrow Fade away like frozen photographs…”
Já na volta da Chapada dos Veadeiros, no Km 18 da rodovia que liga a Vila de São Jorge a Alto Paraíso, paramos para almoçar no “Rancho do Seu Waldomiro”. Fomos experimentar a famosa Matula.
Tradicionalmente, a matula é o saco de couro em que os tropeiros e boiadeiros levam a comida. Uma espécie de marmita que carregam quando partem para o campo. Esta é a origem do prato mais famoso do Seu Waldomiro.
A Matula do Rancho contém feijão com vários tipos de carne, cozidos em folha de bananeira; arroz, abóbora, salada de tomate, paçoca (que eu ainda insisto em chamar de farofa), e a carne de lata. Para quem não sabe as pessoas que não possuíam energia elétrica conservavam a carne dentro de latas cheias de gordura animal. Definitivamente, uma comida com bastante “sustância”.
Seu Waldomiro é um daqueles personagens. Conta histórias e serve comida com cara de alomoço de domingo na casa da mãe. Vende licores, cachaças, doces e até mesmo vinagre de cana – diz que é invenção sua. Como diz minha amiga Rosa, com seu indefectível bordão: "pense numa coisa boa!"
Seu Waldomiro toca berrante e desafiou a nossa turma a fazer o mesmo. Claro que se dispôs a ensinar o povo da cidade. Nesta empreitada, mantive a frustração que tenho desde criança, quando o meu tio insistia para que eu tocasse este instrumento. Nunca consegui. E também não foi desta vez.
Obras do artista plástico Moacir (Fonte: Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge)
Na Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, eu e meus amigos fomos conhecer as obras do artista plástico Moacir Soares de Faria - ou simplesmente Moacir. Tivemos a sorte de conhecê-lo. Vimos algumas de suas telas a óleo e também desenhos em giz de cera.
A arte de Moacir impressiona pelas cores fortes, traços primários e, principalmente, pela mistura entre o sagrado e o profano. Suas imagens são perturbadoras.
Impressionou-me também a sexualidade presente em seus traços. Em uma das paredes de seu ateliê, Moacir tem fixadas várias fotografias pornográficas. As mulheres e seus genitais são quase que transpostos para suas telas.
Devo confessar que, em um primeiro momento, aquelas fotos arrancadas de revistas – com tantas xoxotas explodindo diante dos meus olhos–, coladas com durex naquele local, intrigaram-me mais que sua arte. Mas ao caminhar pelo seu local de trabalho, tudo começou a fazer sentido. Ou pelo menos satisfez minimamente a necessidade que tenho de compreender o que ocorre à minha volta. Admirei ainda mais as obras de Moacir.
Joaquim. O guia espiritual da Vila de São Jorge. Para aquietar nosso Santo nos ofereceu cachaça de um alambique da região. Ele garante que é melhor que 51 e Velho Barreiro. Diferente da primeira, estas duas últimas não prestam porque têm água.
Meio cambaleando, nos explicou que a cachaça do alambique não provoca ressaca porque contém somente álcool. “Bate forte no estômago e sobe direto. Sobe rápido, mas não dá ressaca”, disse.
Com a 51 e a Velho Barreiro o processo é diferente. “O álcool sobe mas deixa a água – meio podre (ou algo assim) – no estômago”.
Joaquim nos assegurou que é exatamente esta água, cujo adjetivo eu nem lembro direito, afinal já tinha tomado umas, que faz mal. Causa enjoo e vômito. E pior, no dia seguinte vem aquela ressaca brava.
Como não havíamos pensado nisso antes! É a água que provoca ressaca. De agora em diante só tomarei cachaça 100% álcool.
Muito bom esse Joaquim. No dia seguinte não só não tive ressaca, como ainda caminhei cerca de 12 quilômetros.
Minha amiga Cristiane escreveu. Conta que está em crise. Não sabe que rumo dar a sua vida. Ela se desencantou com tudo ao seu redor! Entrou em surto e quer dar uma quinada de 180 graus.
Cristiane quer voltar a ser ela e tem um dilema. Há tempos vinha na corda bamba. Foi empurrando a crise com a barriga. Horas pensava em mudar, horas achava que o que tinha estava no tamanho certo. Típica acomodação que mais tarde vira merda.
Demorou tanto que a panela de pressão está para estourar. Cristiane não sabe se compra uma bicicleta e sai por aí, feliz, rodando o mundo ou se ouve a voz chata da razão que insiste em buzinar: “pensa nas contas a pagar”.
Este é o tipo do dilema que consome.
Querida Cristiane, não tenho resposta para você agora. Quando tiver, prometo avisar.